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08 de junho de 2010

Entrevista com Ceci Alves

 

O curta-metragem Doido Lelé, da cineasta baiana Ceci Alves, foi exibido na sessão Short Film Corner, na última edição do Festival de Cannes, representando a École Supérieure d'AudioVisuel (Esav), da Université de Toulouse le Mirail (Toulouse – França), co-produtora da película. A cineasta conversou com o La Baguette e contou como foi a experiência de participar do festival.

 

La Baguette - Como foi que surgiu a oportunidade de exibir seu filme em Cannes?

 

Ceci Alves - A Université de Toulouse resolveu enviar meu filme para concorrer para a sessão Short Filme Corner, e eu adorei a idéia, já que o festiva é um importante ponto de encontro para cineastas do mundo todo. A exibição de Doido Lelé aconteceu numa ótima vitrine. Foram exibidos mais de dois mil filmes do mundo todo.

 

LB - Teve alguma diferença com relação à recepção do filme na França e no Brasil?

 

Ceci Alves - Tem aquele ditado que diz que "um profeta nunca é bem recebido na sua terra", né? Aqui em Salvador muita gente vibrou com o filme e com a ida dele pra Cannes, mas algumas pessoas também desdenharam, isso acontece... A França recebe nossas histórias. É como se a gente tivesse um embrião universal no que a gente conta aqui. Quando fiz Doido Lelé, não sabia que tinha tava coisa de baiano nele, mas acho que a baianidade passa mesmo sem mostrar o Elevador Lacerda no filme, ela passa nos personagens, na nossa maneira de contar uma história. Lá na França a recepção foi boa e também eles já conhecem a obra de Glauber, de Gilberto Gil, ou seja, já tem um terreno em que o que é baiano não é tão novo assim. Ser baiano lá fora já é um bom começo. E Doido Lelé ainda tem a ver com a minha vida. Ele foi feito pra meu pai, ele é que é o personagem central do filme. É bom ver isso dando certo. O pessoal da Argélia me ligou. iquei muito feliz quando percebi que aquela história poderia tocar tanta gente.

 

LB - E o que foi que a exibição rendeu para o filme? Ele vai ser apresentado em outros países?

 

Ceci Alves - Eu realmente não esperava que ele fosse distribuído na Europa com tanta facilidade. Doido Lelé participou da mostra com filmes coreanos, espanhóis e recebeu convites para ir a outros países sim. Quero fechar uma carreira pra ele daqui até agosto.

 

LB - Por quê? Está com outros projetos?

 

Ceci Alves - Estou fazendo dois curtas e escrevendo um documentário e ainda tem um longa que pretendo rodar no ano que vem.

 

LB - Qual o tema do longa?

 

Ceci Alves - Quero falar de música baiana nos anos 80. Vou falar dos últimos suspiros da tropicália e de como a música baiana mudou naquele momento. Ainda estou fechando algumas coisas no roteiro, mas tudo indica que no primeiro semestre de 2011 eu comece a trabalhar nele.

 

LB - O que foi que o teu primeiro filme profissional mais te trouxe como experiência?

 

Ceci Alves - Em Doido Lelé fica claro que este é um filme de todo mundo que participou dele. Foi um esforço incrível de todo mundo que fez algo seja na produçao seja no figurino, filmagem... Ele é um trabalho de todos nós, de muita solidariedade da equipe.

 


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