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Exposição “São Paulo de todas as sombras”, 06 a 29/08/15

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São Paulo de todas as sombras

A maioria senão a totalidade das coisas dignas de interesse no centro da cidade de São Paulo – os edifícios, os monumentos, as praças – já foi identificada, descrita, inventariada, fotografada… Aqui, a intenção é falar do resto, ou seja: o que não se nota, o que não tem importância, “o que acontece quando nada acontece, fora o passar do tempo, das pessoas, carros e nuvens” como dizia o escritor francês Georges Perec.1

Justamente. Como expressar o que acontece todos os dias numa cidade como São Paulo, aquilo que retorna a cada dia sempre igual, e que é tão banal e tão comum, que ninguém nem percebe? Para responder a esta questão, Lucia Guanaes e Marc Dumas procuraram encontrar pontos de vistas fixos de onde pudessem observar o movimento da cidade a qualquer hora da noite e do dia. Escolheram 11 hotéis situados em pontos estratégicos (cruzamentos, praças) cujas janelas possuíam uma vista livre e um ângulo de visão próximo de 180 graus e em seguida registraram tudo o que viam da janela durante ciclos de no mínimo 24 horas em cada hotel.

São Paulo de todas as sombras2 é como um filme, concebido segundo o passar do tempo. Os autores são os espectadores que se mantêm a uma certa distância, sem nunca tomar parte na ação. A janela do hotel é a tela de cinema. E, inversamente, a tela (da máquina fotográfica) é “uma janela para o mundo”, como diz uma velha e batida expressão. Mas neste filme, somos nós – os espectadores – que devemos imaginar a sequência dos mil e um microcontecimentos cotidianos cuja banalidade nos é revelada a partir de fragmentos improváveis. Cabe a nós encontrar, dentre as sombras anônimas que atravessam a tela, os ecos que entram em ressonância com nossas próprias vidas…

E imaginar o resto.

Lucia Guanaes nasceu em São Paulo e vive em Paris desde 1977. Fotógrafa e designer gráfica, publicou Brésil-Brasil, ensaio fotográfico (Éditions Marval, 1989), e No coração da Bahia (2000), CD-ROM que conquistou o Prix Spécial du Jury no Prix Möbius International des Multimédias. É autora também de várias séries fotográficas – Nas cidades (1995), Fronteiras do mar (2005), Transfigurações (2007) –, que estiveram em exposição nos dois lados do Atlântico. Seu trabalho pode ser visto no site: www.luciaguanaes.com

Marc Dumas nasceu e vive em Paris. É designer gráfico e multimídia, ilustrador e fotógrafo. Dirige na capital francesa a editora e agência Tout pour Plaire, especializada em comunicação cultural. Tem publicados, entre outros, três livros de fotografias: Porto da Barra (2009), Robomorphe (2011) e Ikaros (2011). É professor de comunicação visual da École Camondo (design de objetos e arquitetura interior), em Paris. Salvador (BA) é seu segundo domicílio. Sua produção fotográfica pode ser vista no site: www.mixmarc.com

 

1 Georges Perec, Tentative d’épuisement d’un lieu parisien, in Cause commune no 1, Éditions 10/18, 1975. / Tentative d’épuisement d’un lieu parisien, Éditions Christian Bourgois, Paris, 1982.

2 São Paulo de todas as sombras é também um livro que conta com a participação do escritor e curador de fotografia Diógenes Moura. Coedição Tout pour plaire, Paris (ISBN 978-2-9514322-5-3) e Briquet de Lemos / Livros, Brasília (ISBN 978-85-85637-48-4) , 2013.

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